Com premência buscava o mapa-múndi
extasiava-me naquelas formas e dimensões
mergulhava em sua infinita profundidade
ouvia a intraduzível vibração dos movimentos cósmicos
sentia o pulsar das fulgurantes cores

Assim era eu, criança, a dançar saltitante e de mãos dadas
com estrelas, cometas, planetas, galáxias

Eu era as flores se abrindo
as folhas caindo
as águas irrigando
as asas voando
era o sol aquecendo
era o cheiro da terra
as pegadas no chão
o perfume das pétalas
o murmúrio, o grito, o silêncio
a mansidão, o alvoroço, o descanso

Nesse momento
mais uma vez
eu era o infinito
e vibrava nos ilimites de minha imaginação
eu era a própria vibração do Cosmos

 

Sentia, também, as cintilantes e belíssimas cores que irradiavam
aqueles gestos cotidianos que transbordaram os anos do meu viver da luz do amor divino


Por vezes, eu podia sentir nuvens escuras uma dor, uma tristeza, uma angústia, um cansaço
Mas todo aquele preto, cinza ou marrom, mórbidos e sufocantes 
eram instantaneamente consumidos pelo fogo incessante de amor 
que jorrava de seus corações e de suas mãos
e a luz de fulgurantes cores voltava a reinar soberana


No decorrer de minha própria senda sempre busquei colorir
colorir meus pensamentos, sentimentos, palavras e ações
colorir minha vida e meu mundo
Amar é uma forma de colorir

Nos momentos em que tempestades se aproximavam e meu céu se empretecia
lembrava da diversidade imensa de belíssimas cores luminosas
em minha própria paleta e, muitas vezes, a ânsia de me entregara
toda aquela luz era tão imensa, que me deixava colorir por inteiro.


Hoje amanheço paraíso colorido

e o universo brilha mais luz

 e o infinito é sempre o agora

 

Madalena Bento de Mello