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  • Madalena Bento de Mello

A xícara amarela


Cheguei em casa. Era um final de tarde. Abri a porta. Entrei. Senti que havia alguém comigo. Era ela, ali, ao meu lado, fazendo presente sua ausência.

“Oi, tristeza, você está aí?“, lhe perguntei. Com um olhar caído e coração emudecido, a tristeza apenas se gemeu.

Então, eu lhe disse: “Ok! Tudo bem que você esteja aí! Quero te dar o que você mais gostaria de receber de mim agora! Me diga, por favor!“

E ela respondeu: “Café bem quentinho e docinho naquela xícara amarela!“

“Perfeito, é pra já!“, lhe disse.

Preparei um delicioso café quentinho e docinho naquela xícara amarela.

Sentamos juntas, lado a lado. Com certa alegria, a tristeza tomou aquele primeiro golinho de café. Mas ao tomar o segundo, percebi que ele não havia seguido seu destino natural. Havia uma sombra densa e escura que vibrava intensa dor silenciada e que impedia completamente o café quentinho e docinho da xícara amarela de chegar até o coração e aquecê-lo e abraçá-lo.

Foi quando eu disse à tristeza: “Olha, eu estou aqui, ao teu lado. Ninguém no mundo pode te dar o que você mais quer e do jeito que você realmente necessita.

Estou aqui, inteiramente presente. Não vou te interpretar, te analisar, criar estórias ou caixas para te prender dentro, não vou te julgar, te criticar, não vou pensar nem sentir nada a teu respeito. Estou aqui, simplesmente. Eu, o ser que realmente sou, infinitamente poderoso e silencioso em essência e não minha mente, essencialmente ruidosa e frágil.

Agora você pode se expressar, use tua linguagem, pode falar! Estamos só nós duas e todo o poder do Universo!".

Então, a tristeza começou a falar. Lágrimas escorriam de seu peito. Eu permaneci ali, do seu lado, todo o tempo, e o meu silêncio era todo amor.

Quando as águas já se haviam feito, a tristeza pegou a xícara amarela e tomou mais um golinho do café quentinho e docinho e eu pude perceber seu peito despertar, aquecer, se expandir!

E a tristeza se deliciou com cada gota daquele calor, daquele amor incondicional que não pertence a este mundo, posto que é informe.

E já não mais existia a tristeza nem a alegria, tampouco o frio nem o calor,

apenas paz, como uma doce e serena nota ao longe

a ressoar

Madalena Bento de Mello

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